M2 Agro
Edição 2026

Safra, safrinha e entressafra: como funciona o calendário agrícola brasileiro

Da redação · 4 min de leitura

Campo cultivado em curvas de nível em região de morros

Em meados de outubro, enquanto as plantadeiras avançam sobre as lavouras de soja no Centro-Oeste e no Sul, o mercado de grãos já faz contas sobre uma colheita que só vai acontecer no ano seguinte. O calendário agrícola brasileiro é longo, sobreposto e diferente em cada região, e entender seus termos ajuda a explicar por que o preço do milho sobe em certos meses, por que o frete dispara em outros e por que falta armazém na hora da colheita.

Primeira safra, a safra de verão

A primeira safra é semeada com a chegada das chuvas da primavera, a partir de setembro e outubro na maior parte do Centro-Sul, e colhida entre janeiro e abril. É a safra da soja, principal cultura do país, e também de parte do milho, do feijão, do arroz e do algodão.

O início das chuvas define a largada. Em anos em que elas atrasam, todo o calendário se desloca, e a colheita da soja também acontece mais tarde, o que tem consequências para a cultura seguinte.

O que é safrinha

Safrinha é o nome popular da segunda safra: a lavoura plantada logo após a colheita da primeira, aproveitando o restante do período chuvoso. O caso mais importante é o milho semeado depois da soja, entre janeiro e março, principalmente em Mato Grosso, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.

O nome surgiu quando essa lavoura era uma produção menor e de maior risco. Atualmente, o termo engana: em volume, o milho de segunda safra supera com folga o milho de verão e responde pela maior parte da produção nacional do cereal. Por isso, muitos analistas e órgãos oficiais preferem falar em segunda safra.

O risco continua existindo. Quanto mais tarde a semeadura, maior a chance de a lavoura enfrentar falta de chuva no fim do ciclo ou geada nas regiões mais ao sul. A chamada janela de plantio, o período ideal para semear, é o ponto de atenção de todo produtor.

Terceira safra e culturas de inverno

Em algumas regiões há ainda uma terceira safra, com culturas irrigadas ou plantadas em áreas de clima específico, como o feijão de inverno. No Sul, o inverno é a época do trigo, da cevada e da aveia, que ocupam as áreas entre uma safra de verão e outra.

As janelas mudam de região para região

O Brasil tem dimensões continentais, e o calendário varia conforme a latitude e o regime de chuvas. Alguns exemplos:

Entressafra: quando a oferta encolhe

Entressafra é o período entre o fim da colheita de uma cultura e o início da seguinte, quando a oferta do produto novo diminui e o mercado passa a depender dos estoques. Para o milho, por exemplo, o intervalo entre o fim da colheita da segunda safra e a chegada do milho de verão costuma ser um período de oferta mais apertada.

Na entressafra, os preços tendem a ser mais firmes, porque a demanda continua e a oferta depende do que foi armazenado. É também o momento em que quem tem armazém próprio pode vender melhor.

O efeito do calendário no frete e na armazenagem

O calendário agrícola move toda a logística:

Conhecer essas fases ajuda o produtor a planejar compra de insumos, contratação de frete, uso de armazém e momento de venda, em vez de reagir ao mercado quando ele já se moveu.

O que mais perguntam

O que é safrinha? É a segunda safra, plantada logo após a colheita da primeira no mesmo ano agrícola. O principal exemplo é o milho semeado depois da soja, que hoje responde pela maior parte da produção de milho do país.

O que é entressafra? É o período entre o fim de uma colheita e o início da seguinte, quando a oferta do produto novo diminui e o mercado depende dos estoques. Os preços costumam ficar mais firmes.

Por que o frete sobe na colheita? Porque a colheita concentra grandes volumes em poucos meses. A demanda por caminhões, armazéns e portos cresce ao mesmo tempo e pressiona o preço do transporte.

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