M2 Agro
Edição 2026

Secador de grãos: o que o pirômetro do painel precisa mostrar

Da redação · 4 min de leitura

Mão anotando em prancheta ao lado de planta cultivada

Na safra, o secador de grãos costuma trabalhar de dia e de noite, e alguém precisa saber, num olhar, se a temperatura do ar de secagem está onde deveria. Essa leitura costuma vir de um instrumento pequeno, embutido na porta do painel, que o pessoal do campo e da indústria chama de pirômetro.

Pirômetro digital, nesse sentido, é o instrumento de painel ligado a um termopar ou a um PT100. Ele mostra a temperatura num display e, conforme a versão, avisa, controla ou faz as duas coisas. Escolher bem começa por separar essas funções.

Primeiro a função: mostrar, avisar ou controlar

O que o painel do secador ou da fornalha precisa fazer?

  1. Só mostrar e avisar. Se a fornalha já tem o seu comando, basta um indicador com alarme. O West 6010+ tem até 4 relés de alarme, com ou sem trava.
  2. Manter o setpoint. Se o próprio instrumento vai comandar o aquecimento, entra um controlador, como o West 6100+ ou o N2300.
  3. Cortar por sobretemperatura. Aí não serve indicador nem controlador: a proteção fica num limitador separado, com sensor e relé de trava próprios, como o 6700+.

A trava do alarme merece atenção em quem tem turno de noite. Com trava, o aviso fica aceso até alguém reconhecer, e o turno seguinte sabe que houve problema, mesmo que a temperatura já tenha voltado ao normal.

Formato e recorte: meça o furo, não a moldura

O formato diz o tamanho do frontal. Para saber se o aparelho cabe, o que conta é o recorte e o espaço atrás da porta. Segundo os manuais da West:

A chapa do painel pode ter até 6 mm nesses modelos. Em galpão com poeira, a vedação do frontal faz diferença: na série Plus, o frontal é IP66 quando a junta fica bem comprimida. Vários aparelhos lado a lado num recorte só comprometem essa vedação. O manual pede um furo por aparelho, com 6 mm ou mais entre as bordas.

Sensores e sinais que chegam ao painel

No 6100+ e no 6010+, o tipo de sensor é escolhido na configuração, sem jumper: termopares J, K, N, S, T e outros, PT100 a 3 fios, 4 a 20 mA e sinais em volts. O N2300 lê termopar, PT100, mA e mV, mas não tem entrada em volts.

Um erro comum na troca: o tipo escolhido no menu precisa ser o do sensor instalado. Termopar K com o menu em J dá leitura errada.

A entrada de 4 a 20 mA abre outras possibilidades. Um transmissor de pressão ou um sensor infravermelho fixo com essa saída também entra no pirômetro de painel, com escala ajustável de -1999 a 9999.

Para comparar versões, sensores e medidas de recorte num lugar só, vale consultar um guia de pirômetro digital de painel antes de furar a porta do quadro.

Quando o sensor falha

Sensor de campo também quebra. Se o termopar rompe, o 6100+ e o N2300 percebem o sensor aberto em menos de 2 segundos e desligam as saídas de controle, segundo os datasheets da West. A exceção, no 6100+, são as faixas lineares que começam em zero; no N2300, a de 0 a 20 mA.

No controlador, o alarme de malha cobre outro defeito: se a saída fica no máximo e a temperatura não reage, ele avisa. É o caso de resistência queimada que ninguém viu.

Levar a leitura além do painel

Se o secador conversa com um CLP ou com um supervisório, a leitura pode sair do painel:

O que mais perguntam

O pirômetro digital liga direto no queimador ou na resistência? Quase nunca. O relé do 6100+ e do N2300 é de 2 A resistivos em 240 Vca, para a bobina de um contator. Carga acima disso passa por contator ou relé de estado sólido.

Indicador com alarme substitui o limitador? Não. O limitador tem sensor próprio e relé de trava que corta o aquecimento. O indicador só mostra e avisa.

Dá para trocar um pirômetro antigo sem refazer o painel? Em muitos casos, sim. Num furo de 45 x 45 mm, com chapa de até 6 mm e 110 mm livres atrás, o 6100+ costuma caber. Antes de tirar o antigo, anote o sensor, o que cada saída comanda e a tensão de alimentação.

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